segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um olhar para o passado...



Centro de Caririaçu - Ontem e Hoje

sábado, 28 de julho de 2012

Corrupção eleitoral: a compra e a venda de votos...


          Este texto foi pensado a partir de um post colocado no facebook por Francisco Pereira de Sousa, onde o mesmo questiona e opina sobre o fenômeno da “compra e venda de votos” na corrida eleitoral. Como sempre as colocações de Francisco são, por demais, muito oportunas, e talvez por isso mesmo, ele algumas vezes, seja rotulado como da oposição ou da situação, em virtude da coragem em expor suas inquirições. Apesar de correr o mesmo risco aqui, já advirto o leitor desse blog, que a direção não é nesse sentido específico. A abordagem é outra no sentido de procurar as raízes mais profundas do fenômeno nas democracias modernas. Partí então, numa busca exaustiva e frustrante na coleta de material para pensar sobre esse fenômeno, até que me deparei com um texto, um artigo do Sr. Bruno Wilhelm Speck, do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas. Trata-se de um artigo intitulado “A compra de votos – uma aproximação empírica”. Deixarei o endereço do artigo no final desta postagem para quem se interessar e quiser aprofundar a leitura. Então, é importante ressaltar que essa postagem esta completamente impregnada do estudo do Sr. Bruno Wilhelm Speck, acrescida, é claro, aqui e acolá, por minhas concepções pessoais.
          A primeira pergunta que surge antes de se adentrar no fenômeno da compra de votos é a seguinte: “como os eleitores escolhem os seus candidatos em eleições?”. Os mecanismos que determinam essa escolha, ou o modo como ela é feita, é motivo de preocupação de cientistas sociais e também de profissionais que atuam nas campanhas eleitorais. Segundo o artigo do autor acima citado, o eleitorado, via de regra, costuma seguir um conjunto de motivações, e, diferencia basicamente três tipos de voto: o voto ideológico, o voto pessoal (também chamado de circunstancial) e o voto decidido espontaneamente em função de como o candidato ou seu programa de governo é apresentado. Para este terceiro tipo de voto é que se volta o markentig político e todas as suas estratégias. Ao situar, essa espécie de classificação do voto, o autor já alerta que poucos autores assinalam o fenômeno do “voto comprado”. Essa omissão tanto por parte da academia e seus estudiosos, quanto por profissionais que lidam diretamente com o tema, já revela a complexidade do fenômeno. É importante ressaltar, no entanto, que a legislação eleitoral reconhece o problema e proíbe claramente a compra de votos. Como o estudo aborda uma pesquisa realizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) antes de adentrar aos dados específicos o autor faz esta reflexão inicial. De forma muito resumida aqui, a CNBB através de sua campanha no ano de 1996, com o tema “Fraternidade e Política”, confrontou o uso consciente do voto como uma ferramenta, um instrumento, para influenciar os rumos da política, sendo o fenômeno da compra de votos identificado como “uma das maiores distorções da democracia brasileira”. Para os estudiosos do tema as dificuldades apresentadas para diagnosticar tal problema são enormes.
          Como ponto de partida para entender o problema, o autor coloca o papel da “lisura” do processo eleitoral, que aqui bem poderia ser tratada como a “imparcialidade” do processo eleitoral. Historicamente, o voto passa a ser valorizado na transição de regimes políticos, antes baseados em fatores como a hereditariedade, no caso das monarquias, ou mesmo na usurpação do poder, para os regimes ditos de democracia representativa. Nesse novo modelo, a democracia, as chances de manipulação das eleições são imensas. Nesse contexto, a disputa muitas vezes restringe-se entre as elites, que contam com um amplo controle, tanto sobre todo o processo, como também sobre parcela considerável do eleitorado. Convém destacar então, a importância da criação de um órgão isento para administrar o processo eleitoral, o papel do poder econômico no financiamento das campanhas e a independência do eleitor ao votar.
          Com relação a criação de um órgão específico para administrar o processo eleitoral, convém pensar como era esse processo, até a criação da Justiça Eleitoral. O processo eleitoral era completamente controlado pelo governo que deixava o cargo, isto incluía o alistamento de eleitores, a aprovação de candidatos, a votação propriamente dita, o processo de apuração e a diplomação dos eleitos. A possibilidade e a probabilidade de fraude em qualquer etapa desse processo, plenamente controlado pela instância interessada em fazer seu sucessor, não permitia o fenômeno da compra de votos, simplesmente não havia a necessidade.
          Quando tal órgão é criado, o governo e as elites interessadas na manipulação dos resultados, perderam parte importante do controle e o voto ganhou nova dimensão passando a ser fonte de preocupações e também de ataques, ainda na tentativa de manipulação. Surge então o problema do financiamento das campanhas eleitorais. A comunicação com o eleitor agora, relativamente livre, precisava ser “sensibilizado” de várias formas e todas essas formas são caras. A comunicação entre o candidato e o eleitor, exige enormes aportes financeiros para acontecer. Quanto maior a quantidade de eleitores, ou a disposição dos mesmos em uma área territorial muito grande, maiores os custos, os gastos. A pergunta é relevante agora: quem financia então as campanhas dos candidatos? E que espécie de retorno ($) esperam? O volume de dinheiro necessário para tirar uma pessoa do anonimato, elevá-la a condição de líder político e efetivá-la em um cargo, é enorme, e precisa vir de algum lugar. Tal fato, por si só, já é eliminatório, exclui do processo eleitoral parcela considerável de pessoas, que não dispõe de tais recursos para tanto, o que novamente centraliza a disputa entre as elites, ou no máximo, a representantes delas. A fiscalização da captação e do uso de tais recursos, apesar de todos os avanços nessa área, ainda é um tanto obscura, e certamente, dessa fonte nascem os recursos necessários à prática da compra de votos.
         Um terceiro aspecto relevante, e talvez o mais importante, nesse texto refere-se a “independência do eleitor”. Afinal é nele que reside a questão da compra de votos, ou da troca de votos por bens materiais os mais diversos ou favores políticos. Sob essa ótica estudiosos situam o voto historicamente e o classificam da seguinte forma e na seguinte ordem: o voto sob chantagem ou extorsão; o voto negociado ou comprado e o voto como manifestação de aprovação ou reprovação de representantes políticos. No primeiro estágio, o do voto sob chantagem ou extorsão, ocorria no momento da implantação dos regimes democráticos em que os eleitores não estavam plenamente preparados para exercer seus direitos políticos e as relações entre patrões e empregados, latifundiários e seus agregados ocorriam em condição de desigualdade. Nesse período o voto era declarado em aberto, tendo os patrões conhecimento total das opções de seus empregados, a coação nesse aspecto tornava-se evidente, a chantagem e a extorsão. No Brasil, o fenômeno do coronelismo e dos currais eleitorais, evidencia esse fenômeno.
         Com a transição das relações históricas de poder, o voto passa de alienado a negociado, em função da liberdade do eleitor em relação as práticas anteriores, bem como ao caráter secreto do voto. O eleitor sofre transformações nesse processo, torna-se mais informado e teoricamente mais emancipado através dos meios de comunicação de massas. Nesse novo contexto, no entanto, o desnível entre as elites e a massa de eleitores ainda é muito grande. Surge a negociação do poder político o voto por vantagens materiais. É o voto negociado, fonte de nosso texto. Essa negociação pode ocorrer sobre três variações básicas e relevantes: a primeira diz respeito a quantidade de eleitores envolvidos no processo de troca de votos por vantagens materiais, que de uma forma sintética pode se dar de forma individual, o famoso corpo-a-corpo, ou de forma mais sutil com grupos como associações e sindicatos. A segunda consideração importante refere-se especificamente ao objeto de troca, que pode ocorrer na forma de dinheiro ou bens materiais, ou em função de compensações não necessariamente materiais, como empregos, favores administrativos e influência política. Outra questão importante nesta consideração refere-se a origem dos recursos necessários para a compra de votos, que nesse contexto pode vir agora do próprio setor público via corrupção e outras práticas ilícitas. E a terceira consideração importante é em que momento exato, temporalmente falando, ocorre a compensação para o eleitor do objeto negociado, que pode ser imediata na forma de bens materiais e dinheiro, quanto a longo prazo, no decorrer do processo eleitoral, ou da administração propriamente dita, em casos de cargos ou favores administrativos.
        Nesse último contexto surge a grande questão do estabelecimento de uma relação de confiança entre os agentes do processo, corruptores e corrompidos. A pergunta é simples: como garantir que o acordo será cumprido pelas partes? No caso do recebimento de bens ou dinheiro pelo eleitor, como garantir que ele cumprirá a promessa de votar no candidato? E noutro aspecto como garantir que o candidato cumprirá promessas de longo prazo no caso de benefícios políticos administrativos? Na resolução de questão tão complexa vemos emergir no processo a figura de atores novos, os cabos eleitorais, pessoas que se especializaram nas falhas e brechas apresentadas pelo sistema e que controlam de forma direta ou indireta a comunicação entre as instâncias do poder e a outra ponta que são os eleitores.
        Diante desta realidade, acho conveniente agora ressaltar alguns resultados do estudo em questão para melhor elucidação do tema. O resultado em alguns aspectos é surpreendente e em outros corrobora ideias já pré-concebidas. Um exemplo disso é com relação a concepção de que a corrupção eleitoral ocorre com mais frequência entre as pessoas menos escolarizadas, com menor grau de instrução e de baixa renda. As propostas para a compra de votos vão desde eleitores analfabetos até eleitores com grau universitário, o que varia nesse contexto é a moeda de troca.
        Seria tedioso aqui, elucidar todos esses números, mas pra quem desejar ampliar nosso debate deixo o endereço eletrônico do estudo. Espero ter contribuído de alguma forma na elucidação dessa questão.
        O endereço é:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-62762003000100006&script=sci_arttext

domingo, 8 de julho de 2012

O Silêncio...

"Porque paz sem voz, não é paz é medo..."


Caros amigos, leitores deste blog, peço sinceras desculpas pelo silêncio das postagens, enfim pela ausência a que me submeti no mundo virtual, incluindo ai redes socias e tudo o mais... Inclusive, um pedido de desculpas especiais a todas as pessoas que me citaram em seus comentários no facebook, procurarei, na medida do possível, remediar minha ausência e compensá-los de alguma forma. Explicações há, mas não gostaria de elucidá-las aqui, queria apenas que não entendessem esse silêncio como mera preguiça de minha parte, porque a explicação passa longe disso. Citando uma música do grupo Paralamas do Sucesso, "Uns dias", talvez seja possível avaliar essa extensão: "Eu tive fora uns dias numa onda diferente, e provei tantas frutas que te deixariam tonta. Eu nem te falei, da vertigem que se sente...". Então é isso, estou retornando as postagens, espero que com mais garra, e nada melhor do que começar dando continuidade ao projeto Semeando Livros. Acho que a maioria de vocês já conhecem e sabem como funciona o projeto, é simples, bem simples, disponobilizo alguns livros para leitura gratuitamente, é só entrar em contato comigo, pelo blog ou pelo email e dou um jeito de fazer os livros chegar até quem solicitar. Então estou disponibilizando hoje mais três títulos, são eles:


1822
"Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado."
Nesta nova aventura pela História, Laurentino Gomes, o autor do best-seller "1808", conduz o leitor por uma jornada pela Independência do Brasil. Resultado de três anos de pesquisas e composta por 22 capítulos intercalados por ilustrações de fatos e personagens da época, a obra cobre um período de quatorze anos, entre 1821, data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834, ano da morte do imperador Pedro I.
"Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822", explica o autor. "A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos".
http://www.dicasalheias.com/2010/09/1822-laurentino-gomes.html


OS ÚLTIMOS SOLDADOS DA GUERRA FRIA
A história dos agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita dos Estados Unidos - Fernando Morais 
No início da década de 1990, Cuba criou a Rede Vespa, um grupo de doze homens e duas mulheres que se infiltrou nos Estados Unidos e cujo objetivo era espionar alguns dos 47 grupos anticastristas sediados na Flórida. O motivo dessa operação temerária era colher informações com o intuito de evitar ataques terroristas ao território cubano. De fato, algumas dessas organizações ditas “humanitárias” se dedicavam a atividades como jogar pragas nas lavouras cubanas, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana e, quando Cuba se voltou para o turismo, depois do colapso da União Soviética, sequestrar aviões que transportavam turistas, executar atentados a bomba em seus melhores hotéis e até disparar rajadas de metralhadoras contra navios de passageiros em suas águas territoriais e contra turistas estrangeiros em suas praias.
Em cinco anos, foram 127 ataques terroristas, sem contar as invasões constantes do espaço aéreo cubano para lançar panfletos que, entre outras coisas, proclamavam: “A colheita de cana-de-açúcar está para começar. A safra deste ano deve ser destruída. [...] Povo cubano: exortamos cada um de vocês a destruir as moendas das usinas de açúcar”. Em trinta ocasiões, Havana formalizou protestos contra Washington pela invasão de seu espaço aéreo por aviões vindos dos Estados Unidos - sem nenhum efeito. Enquanto isso, em entrevistas, líderes anticastristas na Flórida diziam explicitamente: “A opinião pública internacional precisa saber que é mais seguro fazer turismo na Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”.
Os últimos soldados da Guerra Fria narra a incrível aventura dos espiões cubanos em território americano e revela os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central, e que conta com o apoio tácito nos Estados Unidos de membros do Poder Legislativo e com certa complacência do Executivo e do Judiciário. Ao escrever uma história cheia de peripécias dignas dos melhores romances de espionagem, Fernando Morais mostra mais uma vez como se faz jornalismo de primeira qualidade, com rigor investigativo, imparcialidade narrativa e sofisticados recursos literários.
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12822


A CONSPIRAÇÃO FRANCISCANA
Em 1230, a Ordem dos Franciscanos dissimulou os estigmas da pele de São Francisco de Assis e escondeu o lugar exato de sua tumba, que só seria descoberta 600 anos depois. Que segredo terrível e ameaçador a Igreja desejava ocultar? Traduzido para mais de vinte países, A conspiração franciscana é uma obra de ficção baseada em fatos reais que prende o leitor do começo ao fim. Pouco antes de morrer, frei Leo, um grande companheiro de São Francisco, escreve uma carta de despedida para seu amigo Conrad e esconde nos ornamentos do pergaminho uma mensagem que faz referência a acontecimentos misteriosos da vida do santo.Preocupado com as possíveis implicações políticas e religiosas da carta, Conrad abandona seu isolamento nas montanhas e atravessa a Itália para encontrar explicações.Que motivação estaria por trás da atitude de frei Leo? E por que mandara uma mensagem cifrada? Ao buscar respostas, Conrad descobre uma armação de altos membros do clero para proteger um segredo que poderia destruir a Ordem e abalar os alicerces da Igreja Católica,colocando em risco sua vida, seus votos e sua própria fé. Numa trama cheia de suspense, romance e aventura, A conspiração franciscana conduz o leitor por histórias paralelas que pouco a pouco vão se cruzando e revelando conexões surpreendentes.
http://www.sinopsedolivro.com/2008/04/conspirao-franciscana.html

Então é isso, com esses já são 4 livros que estão disponíveis, o primeiro título já foi lido e devolvido, e encontra-se novamente à disposição.
Um grande abraço a todos

sábado, 19 de maio de 2012

Semeando Livros


Me peguei pensando sobre a leitura e como ela transforma o homem e a sociedade em que ele vive. Fiz um esforço danado para lembrar do momento em que começei a gostar da leitura e não me recordo, parece que esse momento perdeu-se nas dobras de minha memória. Em nosso país, infelizmente, livro é um artigo de luxo, extremamente caro e, apesar das facilidades da vida moderna, ainda de difícil acesso. As livrarias são poucas em nossa região, o que é inacreditável para uma região de aproximadamente um milhão de habitantes (talvez exagero), as bibliotecas menos ainda. Aqui em nossa cidade, conta-se nos dedos de uma mão e sobram dedos.
Mas, ainda assim, existem teimosos como eu que remam contra a maré e gostam de ler. Tenho um acervo pequeno de livros, gostaria de ter muito mais, mas em virtude dos preços isso não é possível. Pensei: livro lido fica em prateleiras... conhecimento absorvido... e agora? Em minha opinião livro em prateleira é livro morto... É preciso fazer circular o que eles têm a dizer, por mais besta que seja. Então, resolvi disponibilizar alguns títulos de minha coleção para os leitores do blog, como ainda os estou catalogando, esse processo deve demorar um tempo, conto com a paciência de vocês.
Mas a coisa vai funcionar assim: vou disponibilizar um título, aí quem se interessar manda um email pra mim com alguns dados (estou tentado me tornar um pouco mais organizado) dizendo que gostaria de pegar emprestado o livro, e eu dou um jeito de fazer chegar até ele(a). Lida a obra, o leitor fará chegar a outra pessoa que por ventura tenha interesse e que esteja na fila por aquela obra e ai vai.
O primeiro título que estou disponibilizando é "A miserável revolução das classes infames" de Décio Freitas. "Décio Freitas que foi o maior historiador dos excluídos nascido no Rio Grande do Sul, além de ser advogado, procurador da República, exilado político e jornalista. Foi responsável pelo resgate da história do quilombo de Palmares e de Zumbi, maior expoente daquela comunidade que resisitiu brava e heróicamente ao julgo escravista.
Décio Freitas obteve um conjunto de cartas escrita por Jean-Jacques Berthier no final do século XVIII e início do século XIX, momentos históricos relativos à fase final da Revolução Francesa e da Cabanagem; este um movimento popular que tomou o poder de forma efetiva no Pará." (http://ex-direitoeesquerdo.blogspot.com.br/2010/01/miseravel-revolucao-das-classes-infames.html)

Segue abaixo um pequeno trecho da obra:
“Apinhados no porão, os prisioneiros mal podem mover os braços. Transpiram copiosamente, sentem dores violentas na cabeça e no peito. Numa vozeria desesperada, suplicam água. Passada mais ou menos uma hora, abre-se a escotilha e joga-se água numa grande tina. A decisão foi do imediato, insubordinando-se contra o comandante, que quer deixá-los morrer de sede. A água tirada do rio é turva e insalubre. De novo joga-se água pela escotilha. Como todos querem ao mesmo tempo chegar à tina, explode um tumulto infernal. Depois de beber a água, alguns perdem os sentidos, outros sentem dores ainda mais violentas na cabeça e no peito. Põem-se inteiramente nus, abanam-se com roupas e chapéus. Lançam-se contra o costado da embarcação para lamber a umidade. Na luta por espaço e ar, gastam a restante energia. [...] Dezenas de prisioneiros sucumbem, espezinhados na luta por água. Muitos são acometidos de febre ardente e se matam golpeando a cabeça no piso do porão.
O bramido que se ouve no convés é tão terrível que os marujos dão sinais de descontentamento. Temendo um motim, o comandante resolve fazer cessar o bramido, ordenando tiros de fuzil para dentro do porão. Ato contínuo manda despejar grande quantidade de cal e correr a escotilha. Agora o porão está hermeticamente fechado.”

Então é isso, por ora esse projeto vai se chamar "Semeando Livros", em homenagem ao poema de Castro Alves "O livro e a América":

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.


Meu email para contato: cavalcantedede@hotmail.com
Dados necessários para empréstimo de livros: nome, apelido, endereço, telefone (celular) e email.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Construir povos

Aprender com os mestres... Entender seus pensamentos e suas visões sobre os fatos do cotidiano e, claro, crescer com isso, é um dos objetivos dos textos que tenho postado aqui no blog. Algumas vezes temos opiniões similares, mas devido à minha deficiência e falta de disciplina na arte de escrever, de me expressar, falho em minhas colocações e acabo por não conseguir dizer coisa alguma.  Quero e tento escrever sobre algo e acabo, nos clássicos, encontrando, coisa muito melhor, mais bem elaborada e que reproduz com muita fidelidade o meu pensar. É assim com Rubem Alves. Parece sempre ter a palavra certa sobre tudo, então nada melhor do que beber de sua fonte. Sei e entendo que o assunto é controverso, principalmente no contexto social e político em que vivemos, em que os ânimos se acirram e cerram-se fileiras de todos os lados, muros ideológicos tem separado amigos e familiares, teimo em sonhar com um "povo", um bem comum, partilhado e dividido, talvez seja utopia, então sou utópico e sonho que todas as obras sirvam não como motivo de separação, mas de aproximação, se é que isso é possível. O texto abaixo é do ano de 2002, mas extremamente atual, e não tem a finalidade de exaltar ou denegrir os "fazedores de obras", mas tentar despertar em nós os "fazedores de povos".
Boa leitura.

Construir povos

    Não me recordo de nenhuma obra que Gandhi tenha inaugurado. Mas me lembro bem de outros gestos seus. Como uma longa caminhada que fez rumo ao mar, quando tinha 61 anos de idade. Mais de quatrocentos quilômetros, 24 dias, 18 quilômetros por dia. Para quê? A Inglaterra, potência colonial dominadora, proibira que os indianos possuíssem qualquer sal que não lhes tivesse sido vendido pelo monopólio governamental inglês. Gandhi resolveu caminhar até o mar para ali transgredir a vontade dos dominadores: tomar nas mãos o sal que o mar e o sol haviam colocado sobre as rochas. Gesto mínimo, fraco, que não seria marcado por nenhuma fita cortada nem por nenhuma placa de bronze. Há situações em que a quebra da lei é a única forma de ser íntegro. Bem que poderia ter ido em lombo de animal ou vagão de trem. Seria mais rápido, mais cômodo. Os políticos que se prezam têm horror a lentidão. Por isso se concedem atributos divinos de onipresença: agora estão aqui, mas num abrir de olhos estão ali. Voam pelos espaços para se fazer ver e inaugurar... Gandhi pensava diferente. Sabia que a vida cresce devagar.

                  Mundos melhores não se fazem; eles nascem...
                                                                                             (E. E. Cumings).
     Não queria inaugurar alguma coisa. Queria gerar um povo. E isso leva tempo, como uma gravidez. Era preciso que a Caminhada demorasse, para que as pessoas caminhassem com ele e, com ele, sonhassem. E, enquanto ele ia, crescia na alma do seu povo o sonho...
     Também não me recordo de nenhuma obra que Martin Luther King Jr. tenha inaugurado. Mas me lembro do seu rosto sereno por fora, amedrontado por dentro. Quem não teria medo do ódio dos brancos? Marchava de mãos vazias, mãos dadas e, qual num poema, seu refrão se repetia: “Eu tenho um sonho.” Queria também gerar um povo e sabia que um povo acontece quando se dão as mãos em busca de um sonho comum. “Eu tenho um sonho.” Era o sonho de um povo que se formava, lagarta que saía do casulo, para voar como borboleta. Eram palavras mágicas que evocavam esperanças esquecidas e invocavam utopias de um mundo novo. Não inaugurou obras. Pois sabia que, antes delas, é preciso que haja um povo.
     Pensei, então, há dois tipos de políticos:
  • os que se oferecem aos olhos do povo;
  • e os que oferecem novos olhos ao povo.
     Os primeiros ficam cada vez mais visíveis. Suas imagens produzidas-polidas-ensaiadas aparecem nos jornais, nos cartazes, na TV e, como a madrasta da Branca de Neve, não se cansam de perguntar: “Espelho, espelho meu, haverá neste país político mais bonito que eu?” E fazem promessas, e inauguram obras, e se proclamam como aqueles que têm o poder de transformar os desejos do povo em realidade. “Tudo isto será teu”, disse o Diabo ao Filho de Deus, “se prostrado me adorares...” E assim, pela sedução das coisas que se dão, as pessoas se vendem por preço baixo. Como na estória bíblica, troca-se a dignidade de se ser filho por um prato de ervilhas. E o povo, então, fica fraco, pedinte, agradecido. Em resumo: eleitorado fiel.
     Mas os líderes que inauguram povos são de outro tipo. Vão ficando, progressivamente invisíveis. Como na tela de Salvador Dalí, A última ceia. O cenário é vítreo e se abre pra as montanhas, para os mares, para o futuro. O próprio Filho de Deus está em via de desaparecer, transparente, para que através de sua invisibilidade o mundo inteiro possa ser visto. Assim são os lideres que inauguram povos. Sabem que o que importa não é que sejam vistos pelo povo, mas que o povo possa ter um mundo novo através deles. Não se preocupam com a admiração narcísica de sua imagem. Mas desejam muito que o povo aprenda a admirar horizontes novos para onde caminhar.
     Mas os inauguradores de obras, por não sonharem os sonhos do povo, em cada obra que inauguram, inauguram-se a si mesmos – e tratam de gravar-se em placas de metal pois sabem que, se não fosse o bronze, seriam logo esquecidos.
     Tento descobrir transparências nos rostos políticos. Pergunto-me sobre os sonhos que eles me fazem sonhar. Mas só tenho pesadelos: rostos opacos que obstruem horizontes.
E assim, fico à espera: quando o rosto, e o corpo, e os gestos, e as cicatrizes de batalhas passadas me fizerem sorrir, sentirei que posso confiar. Por quanto tempo esperarei? Não sei...
Alves, Rubem – Conversas sobre política – Campinas, SP: Verus, 2002.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Mais pesado que o céu"

"A PRIMEIRA VEZ QUE ELE VIU O CÉU foi exatamente ás seis horas e cinqüenta e sete minutos depois do momento mesmo em que uma geração inteira se apaixonou por ele.
     Foi, sem dúvida alguma, sua primeira morte, e apenas a primeira de muitas pequenas mortes que se seguiriam.Para a geração enamorada por ele, era uma devoção apaixonada, poderosa e obrigatória — o tipo de amor que logo de inicio você sabe que está predestinado a partir seu coração e terminar como uma tragédia grega."


Com essa pequena e poética introdução de Charles R. Cross, já é possível perceber o que vem pela frente. Um passeio, como um espectador privilegiado pela vida íntima de Kurt Cobain, desde o nascimento até sua trágica morte aos 27 anos. A formação da banda Nirvana, os cenários em que foram compostas as músicas de maiores sucessos, enfim, lança uma luz sobre a personalidade altamente complexa do vocalista e líder de um dos maiores fenômenos musicais dos anos 90. A leitura por vezes é densa, abafada, angustiante, como os momentos em que o protagonista passava, povoada das inquietações, anseios e visões, distorcidas ou lúcidas. É também um tour pela devastação que as drogas causam nas mentes atormentadas de visionários, em seus familiares e amigos. Se já era fã do Nirvana, a leitura fez com que esses elos invisiveis fossem ampliados, mas acredito, que mesmo para quem não é fã da música do grupo, vale a leitura. É possível encontrar na rede a versão em PDF do livro.
Bom fim de semana.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os olhos não têm cerca!


Questionamentos sobre a liberdade, oriundos do filósofo Manezim

Existem situações na vida em que nos deparamos com perguntas que, pelo menos aparentemente, já estavam respondidas. Uma delas é a questão da liberdade. Falar em liberdade é falar de muita coisa, e de muita coisa vaga. A primeira sensação ou impressão vaga vem da própria definição do vocábulo: afinal, o que é liberdade? Aprofundar tal questionamento, permite verificar o quão ambiguo é o termo. Senão vejamos: para Bauman "numa situação de liberdade podemos fazer o que numa situação diferente seria impossível. Podemos fazer o que quisermos, sem receio de sermos punidos, presos, torturados, perseguidos."(Bauman, 1989). Dessa definição já percebemos o seu oposto, a falta de liberdade e a necessidade de ligação do termo com o "ato" ou com a "atuação" em determinado contexto. Vários termos saltam imediatamente ao olhos: fazer, deixar de fazer, permitido e proibido e suas variações.
O mesmo autor, na mesma obra, alerta para o fato do termo estar intimamente conectado à noção de responsabilidade. Significa que nossos atos livres são de nossa inteira responsabilidade. Podemos buscar nossos objetivos, e nessa busca advém o direito de errar. Ser livre implica que ninguém possa impedir nossas ações quando as desejamos colocar em prática. No entanto, não existem garantias que o que almejamos dará o resultado que precisamos ou mesmo qualquer resultado.
Como estou escrevendo fortemente inflenciado pela obra de Bauman, o texto estará repleto de sua marca. O mesmo alerta que: "a ausência de proibição ou de sanções punitivas é, de fato, condição necessária mas não suficiente para atuarmos de acordo com os nossos desejos." (Bauman, 1989). Podemos querer mudar de lugar, cidade, estado país e, no entanto, não termos o dinheiro suficiente para o fazê-lo. Desse modo, a simples ausência de restrições, ou proibições, não define adequadamente o termo "liberdade".
São questionamentos por demais importantes nesse momento de ambiguidade em que vivemos. As pessoas se proclamam livres e cantam aos quatro ventos tão condição. Muitas vezes não nos damos conta do que está embutido em tais discursos, como o fato de algo depender, só e somente só, do desejo íntimo de cada um. Existem freios invisiveis, quase imperceptiveis à nossa volta, nos cercando, moldado nossa vida de forma sutil e às vezes de forma arrebatadora.
Mas quero voltar à frase do filósofo Manezim: os olhos não tem cerca! É possível moldar o pensamento do homem em uma sociedade, de tal forma que ele pensando ser livre, estará de fato preso por este pensamento? Ou no dizer do filósofo é impossível cerca os olhos (já que eles são as portas da alma e consequentemente do pensamento)?
É possível impor, através de sanções ou proibições, mais ou menos nítidas, a conduta, o jeito de ser e de viver de uma pessoa, ou estando essa na ausência de tais proibições agirá de acordo com sua vontade, independentemente dos resultados de tal comportamento? Fica o questionamento para os seres que se consideram livres (!?).

Fonte: Bauman, Zigmunt - A liberdade - Editorial Estampa, Ltda, Lisboa, 1989 e Manezim.
Foto: Dedé Cavalcante
Modelo: Gutiara Bezerra
(agradecimentos especiais pela paciência de posar para este pequeno ensaio)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Sou obrigado a votar..."

Realmente não adianta... Pra qualquer lado que a gente se vire em Caririaçu, pra qualquer lugar que se vá, o assunto é um só: a sucessão municipal que se anuncia neste ano. Isso mesmo: já estamos respirando política 24 horas por dia. Antecipadamente. Os arautos desses tempos se alvoroçam em separar quem é de qual lado e porque. Soldados intelectuais, usando um termo de meu amigo Francisco Souza, preparam suas armas ideológicas: uns proclamam obras e grandes feitos, outros apontam falhas e defeitos em todos os lugares... Não dá para negar, sentimos antecipadamente aquele breve momento antes da cortina se abrir e o show começar. E que show meus amigos e amigas leitores desse blog. Já se anunciam apostas aos quatro ventos, proclamam-se vencedores e vencidos... para os primeiros a glória e as benesses da vitória, creio que todos me entendem, para os demais "pêia", basta olhar as redes sociais, estão repletas de ameaças, algumas veladas outras bastante explicitas. Portanto, não falarei muito nesse momento desse estado de coisas, mas gostaria que refletissemos sobre a obrigatoriedade do ato de votar... E sobre isso encontrei esse maravilhoso texto (na minha opinião) do mestre Rubem Alves. Vale a pena refletir.
Boa leitura.

SOU OBRIGADO A VOTAR...    
     Era uma manhã luminosa e fresca. Pais, mães, crianças, namorados, velhos... todos tiveram a mesma idéia: o parque. E o parque se encheu de alegria. Era uma felicidade geral...
     Mas, de repente, uma coisa estranha aconteceu, parecia um pesadelo, um cenário montado por Kafka. O parque se encheu de figuras bizarras, vindas não se sabe de onde; usavam máscaras, na maioria sorridentes, falavam todos ao mesmo tempo, gritavam, acusavam-se, ofendiam-se, montavam cenas de teatro, tentavam atrais um público, diziam todos as mesmas coisas, haviam decorado o mesmo script, certamente eram artistas de algum teatro.
     Alguns, dentre aqueles que haviam ido ao parque, vendo frustradas suas esperanças de tranquilidade, procuravam silencio dentro de grutas. Inutilmente. Havia televisões e alto-falantes em todos os lugares. Não se conformando, foram se queixar aos guardas. Argumentaram que espetáculo bizarro, grotesco e barulhento como aquele não podia ser permitido. Os guardas não fizeram nada. Disseram que os artistas tinham permissão das autoridades.
     Desesperados, resolveram voltar às suas casas. Mas os portões haviam sido fechados. E neles estava um aviso: “Os portões só serão abertos depois que todos aplaudirem e pagarem pelo espetáculo. Os que se recusarem a aplaudir e a pagar serão severamente punidos.”
     Não é necessário explicar. É uma parábola da nossa situação política. Esforço-me para pensar com clareza. Frequentemente consigo. Mas diante do espetáculo pré-eleitoral minha razão entra em colapso. Fogem-me as ideias coerentes. Invoco, em meu socorro, aqueles que pensaram racionalmente sobre a política: Platão, Aristóteles, santo Agostinho, Maquiavel, Tocqueville. Suas ideias são maravilhosas. Mas não me ajudam. O que acontece no Brasil está muito além da imaginação.
     Nossa política não pode ser entendida com cabeça de filósofo. Só pode ser entendida com cabeça de bufão. George Orwell chegou a conclusão semelhante. Por isso, deixando de lado o discurso filosófico adotou o estilo do humor. Escreveu o livro Animal Farm (em português apareceu como a revolução dos bichos). A sabedoria só pode ser aprendida e dita com o riso. É a estória de uma fazenda em que a bicharada resolveu fazer uma revolução democrática contra o fazendeiro. Nada mais racional. Mas quem leu o livro se lembra do final: o cavalo, que fazia o trabalho pesado, termina seus dias numa fábrica de mortadela, enquanto os gordos porcos, liderança política, assumem democraticamente o poder em alianças secretas com o fazendeiro deposto.
     Minha vontade era de sair do parque. Mas o portão estava fechado. Fui obrigado a participar da farsa. O que me deixou furioso: o ato de participação implicava em que desse o meu aval ao jogo. Mas eu sabia que os dados estavam viciados.
     Relutantemente decidi-me, então, a entrar no jogo. Abandonei os filósofos. Vesti minha fantasia de bufão. Aconselhado por Ulisses, o herói grego, entupi meus ouvidos com cera. Não queria escutar nada do que se falava. Na política não se pode acreditar no que se fala. Além disso, tomei a decisão de tornar-me analfabeto. Queria poupar-me do sofrimento de entender o que se escrevia. Esta era uma ocasião em que as palavras nada significam.
     A política não é o jogo da verdade. Na política o que importa não é ser, mas parecer ser. Política não se faz com verdade. Política se faz com imagens. Gastou-se uma fortuna para corrigir o sorriso do Carter, quando este se candidatou à presidência dos States. Para a cabeça do eleitor um detalhe de um sorriso pesa mais que uma ideologia. Collor foi eleito porque, aos olhos do eleitorado, ele era mais bonito que o Lula. A maioria dos pais queria ter filhos parecidos com o Collor e não com o Lula. O povo, essa unidade amorfa sobre a qual se assenta a democracia, não é racional.
     Dentre todos os candidatos, um deles chamou a minha atenção pelo seu profundo conhecimento intuitivo da psicologia do eleitorado. Não colocou, nos outdoors que o anunciam nem promessas nem fotografias coloridas. Colocou apenas, ao lado do seu número e do apelido diminutivo por que é conhecido, uma bola de futebol. Quadriculada em preto e branco. Ele sabe que a psicologia do eleitorado é a psicologia da torcida. A psicologia da torcida ignora as ideias e ética. Por amor ao nosso time todos os crimes são permitidos. “Vote em mim! Será um gol para o nosso time!” – é isso que o outdoor do referido candidato está dizendo. Será reeleito pela torcida.
     Surdo a tudo o que dizem os candidatos, limito-me a observar as imagens. Aquele é o bufão-mor, ator consumado. Sabe representar todos os papéis. Na igreja católica faz sinal-da-cruz, em igreja evangélica levanta a mão e fecha os olhos, em candomblé, imagino, aceitaria ser cavalo de orixá. Sua ousadia não tem limites. Tocador de piano em horas vagas, em gestão anterior arranjou para que, num concerto para seis pianos e orquestra, ele fosse um dos seis pianistas ao lado de cinco consagrados pianistas brasileiros.
     Um outro gostava de posar de pregador evangélico, com a Bíblia na mão. Candidato com a Bíblia na mão está dizendo: “Tenho ligação direta com Deus.” Exorcizo. Quem acredita ter ligações diretas com Deus não precisa ter ligações com os homens. Se sei o que Deus deseja, por que perder meu tempo com aquilo que os homens desejam? Todo político que cita Deus é um ditador em potencial.
     Um outro conquistou fama extraordinária. Um jornal inglês, o Times, se não me engano, produziu um livro com as biografias das personalidades que moldaram o século XX: Einstein, Freud, Hitler, Fleming, Albert Schweitzer, Churchill, Kennedy – ao lado de muitos outros,em ordem alfabética. O livro foi traduzido para o português. Ai algo inexplicável e extraordinário aconteceu. O nome do referido político apareceu milagrosamente no lugar daquele que se lá se encontrava na edição inglesa, ocupando mais espaço que a biografia de Kennedy. Que santo terá operado tal milagre?
     Os outros sobre os quais não tenho nenhum portento circense a relatar não me provocam entusiasmo. Fico indiferente. Não acredito. Votarei num deles, como autômato.
     Imagine se você quer construir uma casa. Procura três firmas de arquitetura. Você diz o que deseja e quais são os seus recursos. Elas preparam projetos. O primeiro é lindo: você se entusiasma. Mas é caro demais. Faltam-lhe os recursos. A segunda empresa começa por lhe dizer quanto vai custar a obra. Você se alegra porque o projeto está dentro do seu orçamento. Mas, quando vê o projeto, o seu entusiasmo se vai. É um horror. O terceiro não é grandioso como o primeiro, mas você gosta dele. E para ele você tem os recursos. Esse é o projeto que você escolhe.
     Democracia deve ser assim. Os partidos são os construtores. Cada um deve apresentar um projeto da casa-país que se propõe a construir. A democracia começa quando o eleitor escolhe o projeto menos ruim. Acontece que eu não tenho idéia alguma do projeto inteiro. Algum político terá? O que prometem são maçanetas, janelas, fechaduras, telhados, pias, privadas. Nada me dizem da casa inteira nem de onde vão tirar os recursos para a construção. Todos prometem a mesma coisa: segurança, estradas, indústrias, empregos, educação, saúde... Mas... qual é o projeto?
     Não quero votar. Não quero dar meu aval ao processo. Mas sou obrigado a votar. Será um voto triste, sem entusiasmo e sem esperanças de ver construída a casa-país com que sonho.

ALVES, Rubem – Conversas sobre política – Campinas, SP: Verus, 2002

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espalha Fatos - Do fundo do baú


Dizem que recordar é viver... Não acreditava muito nisso até que um dia desses conversando com a amiga Viviane Morais sobre a reativação do blog “Lá In Nóis”, ela me falou que tinha algumas cópias de um antigo jornalzinho que fazíamos na CNEC de Caririaçu e que tinha o sugestivo nome de “Espalha Fatos”. Fiquei muito alegre até a mesma, em nova conversa, me dizer que não encontrava mais as cópias dos mesmos, ai foi uma frustração: era como se um pedaço de nossas histórias naquela escola de vanguarda estivesse para sempre perdido, e com ela parte também da história de nossa comunidade. Mas lembramos que Adaury Monteiro, nossa colega de trabalho naquela unidade tinha o saudável hábito de guardar tudo referente aquela instituição. Viviane caiu em campo e Adaury possuía alguns exemplares. Portanto, vamos a partir de agora recorda um pouco daqueles tempos idos. Graças a essas duas pessoas, Viviane que pensou a idéia e Adaury que arquivou um pedaço de nossa história com tanto zelo e carinho.

Falar desse jornal é falar um pouco de nossas vidas. Naquela época eu lecionava Filosofia e Sociologia na CNEC e como parte das inúmeras atividades daquela escola surgiu a idéia de fazermos um pequeno jornal de circulação restrita na cidade já que não tínhamos recursos financeiros. Anteriormente o jornal da escola era feito em uma folha de cartolina, escrito à mão mesmo, idéia do professor Bento Abreu e levava dias para ser confeccionado. Nessa nova versão já contávamos com um potente computador IBM 386 e que deu um novo visual ao jornal. Sei que vão rir disso, mas é verdade. O nome do jornal partiu de uma sugestão do professor Valdir Pereira, então aluno do curso de letras da URCA e lá eles tinham um jornal com o mesmo nome, em reunião adoramos o nome. A participação de vários alunos foi fundamental para tornar a ideia uma realidade, aliás naquela escola a palavra "equipe" tinha outro significado bem mais forte, podemos destacar suscintamente: Viviane Morais, Débora Rodrigues, Daniella Freitas, Maria Aquino, nossa artista de plantão e que fazia todas as ilustrações e por ai vai, era muita gente, muita mesmo. Vamos falar de todos no momento oportuno.

As reportagens retratavam a vida da época, óbvio. Viviamos sob a administração do Sr. José Hildon Morais, e diversas reportagens tratam dessa situação política. Parece que a história teima em se repetir. Vou deixá-los com a primeira página do jornal n° 2, ainda estamos procurando o número 1. A primeira reportagem com o título “Caririaçu: o caminho para a falência” faz uma pequena análise crítica desse período. Fico pensando se isso seria possível nos dias atuais, sem sermos acusados de querer voltar ao passado. Sinceramente falando creio que o viés é outro: observando agora o passado é justamente para lá que não queremos ir de forma alguma. A segunda reportagem, "De quem é esta terra?" trata da proliferação das drogas em nossa comunidade. Ainda éramos inocentes, a droga mais letal que havia aqui era a maconha, isso em pleno 1995.

Enfim, isso é só um aperitivo. O jornal era muito dinâmico tinha até umas estorinhas em quadrinhos com personagens locais, como o saudoso Zé Pezim (O Matchutão) e o artista Joãokior, na época Joãochior.


Boa leitura.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A origem do nome "Caririaçu"


          Uma de minhas grandes curiosidades era quanto à origem do nome de nossa cidade “Caririaçu”, que até bem pouco tempo, ainda era possível ver escrito com duas grafias: Caririaçu e Caririassu; mas que com o passar do tempo prevaleceu a primeira. De qualquer forma, sempre me perguntava como e quando surgiu a mudança e também o seu significado. Por muito tempo, isso era um verdadeiro mistério, até a leitura do livro do Sr. Raimundo de Oliveira Borges, Serra de São Pedro – História de Caririaçu (Esboço Histórico). Na citada obra o autor relata a origem de nosso nome e é possível descortinar um pouco do processo histórico que o originou através de uma carta do Sr. Aderson Borges de Carvalho, lançado luz sobre o episódio.
          Não sou saudosista, até porque quando aqui nasci, essa cidade já se chamava Caririaçu, cresci sob a sombra desse nome, que pra mim, é muito agradável. Então já aviso logo, este texto não tem a pretensão de uma volta ao passado, às origens da volta do nome, não se trata disso. Trata-se apenas de um esclarecimento histórico, justamente para entender tais origens. Passamos recentemente por tantas mudanças de nomes nas localidades da zona rural, só pra citar como exemplo, a mudança do sitio Chucalho, para Santa Cruz, Cobras para Santo Antonio e tantos outros que já nem me lembro com clareza, que nos deixam desnorteados na maioria das vezes.
          Mas toda mudança tem uma origem e um determinado fim. Tentava entender a origem e a finalidade dessa mudança de nome da nossa cidade. Creio ter começado a entender melhor. É pena que se ache tão poucas referências históricas sobre esses episódios. Mas também, não sou historiador, não é minha área, não sei nem como começar uma pesquisa desse porte, enfim sou apenas um curioso. Mas, fica aqui o registro que encontrei. Quem tiver mais informações e quiser colaborar seja bem-vindo. Segue abaixo as passagens em que o Sr. Raimundo de Oliveira Borges fala em seu livro sobre a mudança de nome, bem como também as explicações enviadas pelo Sr. Aderson Borges de Oliveira, por carta ao autor do livro. Reproduzo inicialmente o texto do Sr. Raimundo e em seguida o do Sr. Aderson. No livro a ordem é inversa.

"Capítulo IV
TOPONÍMIA INDÍGENA
          A mudança do nome do município de São Pedro do Cariri (Decreto-Lei N° 1.144, de 30-12-1943) não foi muito bem recebido pela população e continua sendo ainda hoje.
          Prefere o de São do Cariri, permanecendo na esperança da volta do antigo nome, como aconteceu com Santonópole, que não aceitou a inovação que lhe impuseram e voltou a ser como era antes do gosto do povo Santana do Cariri.
          O nome de São Pedro do Cariri foi dado pela Lei N° 1541 de 21-08-1918, in verbis:
 
‘Muda para São Pedro do Cariri o município e vila de São Pedro do Crato.
O povo do Estado do Ceará, por seus representantes, decretou e eu promulgo a seguinte lei:
Artigo Único – Fica mudado para São Pedro do Cariri o nome do município e vila de São Pedro do Crato, revogadas as disposições em contrário.
Palácio da Presidência do Ceará, em 27 de agosto de 1918 – João Thomé de Saboya e Silva, J. Saboya de Albuquerque.’

          Veio a de 1943 e mudou para Caririaçu.
          RENATO BRAGA, na sua citada obra, página 297, aduz que Caririaçu é o ‘nome de uma tribo indígena que pervagava por essas paragens.’
          Não me parece procedente a afirmativa, porque não há notícia de haver perambulado por essas bandas nenhuma tribo com esse nome.
          A Serra, ao contrário, foi habitada pelos índios Cariris, consoante ficou substancialmente esclarecido no Capítulo 1° deste trabalho.
          Inclino-me ao que a respeito se encontra em ‘REGIÃO DO CARIRI’, obra já referida, de que Caririaçu vem ‘de cariri ou kiriri, calado, taciturno, e assu, sufixo aumentativo’ (página 59).
         Aliás, embora se escreva no final açú (sic) ou assu, indistintamente, a preferência vem sendo pelo primeiro, tanto que o próprio decreto que operou a mudança o perfilha.
         Da Serra de São Pedro, principalmente do lugar ‘Paraíso’ – bairro da sede – alcança-se toda a vasta região do Cariri, inclusive, para o sul, as cidades do Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, a fimbria azul do horizonte para as bandas de Milagres, Abaiara, Porteiras e Brejo Santo, e, para o norte as serranias que se dilatam rumo aos municípios de Granjeiro, Aurora e Lavras da Mangabeira.
        Provavelmente foi isto, foi essa visão distendida da Serra, abraçando a vasta região caririense que levou o legislador a dar ao município a denominação de Caririaçu Cariri Grande, dos indígenas.
Mas o que agrada, o de que o povo serrano gosta mesmo é São Pedro do Cariri, nome este que todo mundo nota com que prazer ele o pronuncia.
         Uma das grandes virtudes, ou características, do caririense, é o orgulho de pertencer e ser conhecido como filho desta região. Daí a inconformação daquelas localidades sitas aqui que, sem razão plausível, perdem a sua toponímia tradicional, ou que lembra as suas profundas raízes étnicas, mesmo que a nova polidamente as relembre, e, por isso, porfiam na sua recuperação, adotando a mudança só por obediência, mas não por adesão espontânea.
         Nenhuma composição musical popular expressa melhor, ou mais fielmente, esse sentimento de amor e de apego do caririense a esta gleba do que aquela em que o filho da terra premido pelos rigores da seca, resiste, não obstante, e ficando os pés, brada... ‘só deixo o meu Cariri no último Pau de Arara.’"

Borges, Raimundo de Oliveira - Serra de São Pedro - História de Caririaçu (Esboço Histórico) - Fortaleza: ABC Editora, 2009 (pág. 57 - 59)

         (...)
         Do seu trabalho muito teria que dizer sem a verdade de critica, que não sou do ramo, mas por motivações que ele me desperta na esfera sentimental, pois muitas de suas páginas alcançam-me no tempo, fazendo-me testemunha da história. Enalteço por isso a evidência de seu posicionamento diante dos fatos: imparcial no julgamento e prudente nas interpretações. Houve-se como se não fora um dos protagonistas da história em tempo recente, como político atuante e crítico ardoroso da sociedade em que viveu. A paixão não deve ter morada no coração de quem se propõe a zelar a história. E no seu livro, em momento algum, há vestígios de passionalidade, fato nem sempre constatado em alguns dos mais conhecidos historiadores e cronistas regionais.
         A prudência a que me referi é meriadiana quando discorda de RENATO BRAGA: ‘não me parece procedente a afirmação porque não há notícias de haver perambulado por estas bandas nenhuma tribo com esse nome,’(Caririaçu).
         Não admitindo, prudentemente, a existência dos Índios Cariris-Açu – acerta em cheio no que teria sido a intenção do legislador ao dar ao município o nome de CARIRIAÇU.
         Digo, teria sido a intenção do legislador, porque este, lá de fora, realmente teve a norteá-lo apenas as sugestões que lhe foram apresentadas pela Prefeitura e pela Agência municipal de estatística. Essas sugestões foram colhidas de pessoas esclarecidas que à época viviam no município, entre estas o missivista, e enviadas para o antigo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Sua ausência no município na época justifica não o ter sido consultado e contribuído decisivamente para a mudança do nome da sede e dos distritos que eram somente Junco e Todos os Santos.
         Solicitado por ‘seu Carrim’ então prefeito e por Carlinho Amaro, agente da estatística, ofereci sugestões para mudança do nome de São Pedro e Todos os Santos, para São Pedro sugeri: IGAÇABA (alusão às urnas encontradas nos alicerces da atual Igreja matriz, cerâmica indígena); PARAÍSO (referência ao aprazível sítio próximo ao núcleo urbano e hoje florescente subúrbio) e finalmente CARIRIAÇU, como a intenção que o Sr, atribui ao legislador, exatamente porque do alto da serra de São Pedro, no Paraíso, no Flor, no Bico da Arara, numa centena de diferentes pontos, sobrepostos ao Cariri, plano ou pouco acidentado, aqui de baixo, temos amplos e magníficos belvederes feitos caprichosamente pela natureza, dominando numa ampla visão, encantadora paisagem. Para Todos os Santos sugeri MIRAGEM, tendo em vista que embora a palavra significando ‘ilusão enganadora’ contraste com a vitalidade econômica do distrito – daquele ponto na época do verão julgamos os horizontes mais distante do que realmente o são, numa ilusão de ótica que poder-se-ia dizer se assemelha à miragem dos desertos. Quanto ao distrito de Junco, sugestão para Granjeiro foi do Anísio Farias, homenagem à tradicional família daquela gleba.
         Essas mudanças toponímicas dos municípios brasileiros e seus distritos visavam entre outras coisas evitar o extravio de correspondências que endereçadas a uma cidade iam ter a outras, fato que constateis quando substitui extra-oficialmente a agente postal Isabel de Freitas. Sobre o assunto creio que boa fonte de informação é a ‘Revista Brasileira de Geografia e Estatística’, edição da época.
         Sobra-lhe tato e sensibilidade para afirmar que não gostamos do nome CARIRIAÇU dado à nossa terra. Não fora por exigência da lei em pleno Estado Novo, certamente ainda teríamos hoje o adocicado nome de São Pedro do Cariri.(...)

Borges, Raimundo de Oliveira - Serra de São Pedro - História de Caririaçu (Esboço Histórico) - Fortaleza: ABC Editora, 2009 (pág. 25 - 27)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Capítulo II - A Arte da Guerra

Essa vai diretamente pro povo que tá lendo o livro. Pelas minhas contas consegui 4 leitores. Uma dádiva.

Capitulo II – Gerenciamento da Guerra
Sun Tzu disse:
Quando você enviar as tropas para uma batalha, você deverá considerar que necessitará de mil carruagens velozes de guerra e mil carruagens pesadas de guerra, além de cem mil soldados.
Provisões necessáriasVocê necessitará de muitas provisões para esta força cobrir uma distância de mil li (mil li = 100 km). Você gastará, também, mil barras de ouro por dia para a despesa do Estado e no campo de batalha, incluindo enviados ao exterior e conselheiros; materiais como cola e laca, carruagens e armaduras. Depois que você tiver bastante dinheiro, seus cem mil corajosos guerreiros poderão sair para batalhar.

Campanha prolongada = recursos insuficientesEm operações militares, procure uma vitória rápida. Com o prosseguimento das ações as armas ficarão desgastadas, as provisões insuficientes e as tropas desmoralizadas. Uma batalha longa entorpece o exército, umedece o espírito e o entusiasmo dos soldados. Se você sitiar uma cidade fortificada, terá suas forças esgotadas. Se o seu exército for mantido muito tempo em campanha, as reservas do Estado serão insuficientes.
E depois, quando você tiver com suas forças desgastadas, com suas provisões insuficientes, com suas tropas desmoralizadas e com seus recursos exauridos, os governantes vizinhos tirarão proveito desta situação e obterão vantagens para atacá-lo. E você, neste caso, mesmo contando com os mais ilustres e sábios conselheiros não conseguirá garantir um bom resultado na batalha.
Prosseguimento das ações = Provisões insuficientes = Tropas desmoralizadas = Forças esgotadas = Ataque dos estados vizinhos

Embora já tenhamos ouvido falar de campanhas precipitadas e imprudentes, nós nunca tivemos um exemplo de benefício no prolongamento das hostilidades, tampouco, ouvimos que uma guerra demorada pudesse beneficiar um país.
É óbvio que aquele que não compreende os perigos inerentes das operações militares não está profundamente consciente da maneira de como tirar proveito disto.
Um comandante que domina a arte da guerra não convoca suas forças mais de uma vez, nem solicita provisões repetidamente. Ele conduz o material e as provisões necessárias e faz uso das provisões do inimigo. Assim, ele terá o necessário para alimentar o seu exército.

Custos da guerra
Geralmente, o Estado fica empobrecido quando envia suas tropas para empreender uma guerra em local distante. Manter um exército a uma longa distância empobrece o povo. Onde este exército, que está longe de sua terra, estiver estacionado, os preços de artigos subirão; e o preço alto esgotará os recursos financeiros do Estado. Quando os recursos do Estado estiverem se exaurindo, os impostos tenderão a aumentar para sustentar este exército que luta longe de sua terra.
Toda a força do estado será consumida no campo de batalha. Ao final, setenta por cento da riqueza das pessoas será consumida e sessenta por cento da renda do Estado será dissipada, com carruagens quebradas, cavalos fora de combate, armas danificadas, inclusive armaduras e elmos, arcos e flechas, lanças e escudos, rebanhos, carroças de provisões. Toda a força do estado será consumida no campo de batalha.

Obtenção das provisões
Conseqüentemente, um chefe sábio deve se esforçar para obter as provisões no solo inimigo. O consumo de um zhong de comida do inimigo é equivalente a vinte zhong da própria terra; e o consumo de um dan de forragem do inimigo equivale a vinte dan dos seus.
Administração dos despojos e bens capturados
- Se você quer matar o inimigo, você tem que despertar o ódio de seus soldados; se você quer obter a riqueza do inimigo, você tem que saber administrar a distribuição dos despojos.
- Se seu exército captura dez carruagens em uma batalha, você tem que recompensar o primeiro que lhe levou a carruagem do inimigo.
- Substitua as bandeiras e estandartes do inimigo por suas próprias bandeiras e misture as carruagens capturadas com as suas.
- Ao mesmo tempo, você deverá tratar bem os soldados aprisionados.
As operações militares devem ser conduzidas para uma vitória rápida e não como campanhas prolongadas.
Então, o chefe que está versado na arte de guerra, torna-se o senhor para determinar o destino das pessoas e controlar a segurança da nação.
Aqui posso colocar textos mais longos. Boa leitura.

Tirando onda de Escultor

A fotografia é, no meu entender, uma forma de arte muito elevada. Mas nada impede que eu busque outras formas de expressão. Pois bem andei tentando escultura em argila. Na verdade esculturas de faces de pessoas retiradas com moldes de alginato, e posteriormente passados para argila. Ainda não acertei a mão, aliás, acho que tá é longe, mas ai temos o primeiro resultado dessa experiência com barro. Espero que gostem. Préa não gostou nada, disso que parecia coisa de defunto, rsrsrs... Mas eu gostei.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Girassol


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mulheres e Poesia VI


Soneto do Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Uma mulher que é feita de música,
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Morais

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sobre a procissão de São Pedro

Esse ano consegui acompanhar a procissão de nosso padroeiro, coisa que não fazia há cerca de uns 16 anos. Sempre me prometia fotografar esse acontecimento de nossa comunidade, mas na maioria das vezes, sempre estava bêbado demais para tanto. Esse ano deu certo. É claro que é, apenas, a minha visão deste evento. Se quiserem ver as fotos em tamanho maior é só clicar sobre elas. Saudações a todos.

Procissão de São Pedro

Caririaçu - 2009


Olha lá
Vai passando
A procissão
Se arrastando
Que nem cobra
Pelo chão
As pessoas
Que nela vão passando
Acreditam nas coisas
Lá do céu
As mulheres cantando
Tiram versos
Os homens escutando
Tiram o chapéu


Eles vivem penando
Aqui na Terra
Esperando
O que Jesus prometeu
E Jesus prometeu
Coisa melhor
Prá quem vive
Nesse mundo sem amor
Só depois de entregar
O corpo ao chão
Só depois de morrer
Neste sertão


Eu também
Tô do lado de Jesus
Só que acho que ele
Se esqueceu
De dizer que na Terra
A gente tem
De arranjar um jeitinho
Pra viver



Muita gente se arvora
A ser Deus
E promete tanta coisa
Pro sertão
Que vai dar um vestido
Pra Maria
E promete um roçado
Pro João



Entra ano, sai ano
E nada vem
Meu sertão continua
Ao Deus dará
Mas se existe Jesus
No firmamento
Cá na Terra
Isso tem que se acabar

domingo, 17 de maio de 2009

Mulheres e Poesia V


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca


Spend all your time waiting
for that second chance
for a break that would make it okay
there's always some reason
to feel not good enough
and it's hard at the end of the day
I need some distraction
oh beautiful release
memories seep from my veins
let me be empty
oh and weightless and maybe
I'll find some peace tonight

In the arms of the angel
fly away from here
from this dark cold hotel room
and the endlessness that you fear
you are pulled from the wreckage
of your silent reverie
you're in the arms of the angel
may you find some comfort here

So tired of the straight line
and everywhere you turn
there's vultures and thieves at your back
and the storm keeps on twisting
you keep on building the lines
that you make up for all that you lack
it doesn't make no difference
escaping one last time
it's easier to believe in this sweet madness oh
this glorious sadness that brings me to my knees

In the arms of the angel
fly away from here
from this dark cold hotel room
and the endlessness that you fear
you are pulled from the wreckage
of your silent reverie
you're in the arms of the angel
may you find some comfort here
you're in the arms of the angel
may you find some comfort here

Sarah McLachlan
Angel

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mulheres e Poesia IV




Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra calda
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

 - e um dia me acabarei.

Cecília Meireles

Mulheres e Poesia III



Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.


Cecília Meireles

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mulheres e Poesia II


"Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão."


Vinícius de Morais

Mulheres e Poesia



Soneto de Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirate
Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinícius de Morais

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Voltando a ativa

Caros amigos e visitantes do blog....
Por vários meses estive ausente das postagens do blog em virtude de muitas coisas, dentre as principais, problemas de saúde e uma preguiça intelectual congênita. Mas por razões imperativas, que fogem ao meu humilde controle, estamos retornando em um período difícil para nossa comunidade que é o de eleições. Inevitavelmente isso afeta nossa vida em comunidade e nossas convicções são postas todas à prova, durante tal período. No entanto, creio que o melhor a fazer é debater vários assuntos, como por exemplo, o desempenho do nosso país nas olimpíadas de Pequim. Li uma reportagem sobre isso na revista veja e passarei a transcrevê-la, amanhã, para que possamos refletir, como as ações políticas locais interferem no desempenho nacional, se é que é possível estabelecer relações entre assuntos, aparentemente tão dispares. Desejo a todos um retorno maravilhoso ao debate.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Anônimo(a) disse...

Anônimo disse...

Justificativa: As sugestões partem do princípio de tentarmos popularizar as idéias e o conhecimento... Oportunizando a participação de todos que visitam o blog. Isso o tornaria mais interessante e prazeroso, e ainda acompanhariamos a evolução de todos que de alguma forma estam conosco nesta caminhada, buscando a luz e o esclarecimento. Lapidariamos as idéias fazendo ligações com filmes, músicas, poesias,reportagens, livros complexos... Esse na verdade seria um aguçar os vários sentidos e prazeres, convidando ao raciocínio e ação para mutação do ser. Topas?

10 de Outubro de 2007 20:50

Dedé disse:
Duas sugestões de alto calibre, veja como são as coisas, até então não tinha tido a oportunidade nem a boa vontade de assistir aos dois filmes sugeridos, agora senti-me tentado a vê-los o mais breve possível, pela sinopse postada desperta uma curiosidade enorme para entender estas obras. Vou ficar devendo novos comentários. Já está topado. Um grande abraço.

Anônimo(a) nova dica...

Anônimo disse...

Filme:A Vida em Preto e Branco

Dois irmãos - David e Jennifer - são misteriosamente sugados para dentro da televisão e ficam presos em uma série, estilo "Papai sabe tudo", chamada Pleasantville. Nesta cidade, que dá nome á série, todos estão sempre felizes e satisfeitos, não há conflitos e a rotina não é religiosamente seguida. É um mundo falsamente perfeito, onde nunca choveu e nem os bombeiros sabem o que é um incêndio.
A vida de todos é em preto e branco e, apesar de parecer estarem todos satisfeitos, não há mudanças pois não conhecem nada diferente de suas vidas, nem o que há fora de sua cidade. Eis que os irmãos, que passam a ser filhos dos personagens da série, começam a agitar a cidade, mostrando como a vida pode ser muito mais agradável se todos seguirem o que têm vontade de fazer, e não apenas aceitar o que fazem.
Á medida que vão se abrindo, cada sentimento conquistado é mostrado como o colorido e logo a cidade vai se pintando aos poucos. Os livros começam a não ter apenas páginas em branco e os jovens, principalmente, descobrem que há mais o que fazer do que andar de mãos dadas.
O filme não trata apenas da descoberta de paixões nem da aceitação de si próprio, trata também de como a sociedade pode fazer de tudo contra aqueles que assumem as "suas cores". Ele vai tratar também do preconceito, pois as novas ações não são facilmente toleradas pelos antigos moradores, e mostrar como a intolerância pode acabar com as cores da vida.
Apesar de tímido esse filme tem a dizer muito mais do que parece.

10 de Outubro de 2007 20:34

Dedé disse:
Mais uma indicação. Vou assistir.

Anônimo(a) sugeriu...

Anônimo disse...

Vou iniciar:Sinopse do filme V for vendetta (V de vingança):

Na paisagem futurista de uma Inglaterra totalitária, V de Vingança conta a história de uma pacata jovem chamada Evey(Natalie Portman), que resgatada de uma cituação de vida e morte por um homem mascarado, conhecido apenas como "V". Incomparavelmente habilidoso na arte do combate a destruição, V inicia uma revolução quando convoca seus compatriotas a erguerem-se contra a tirania e opressão. Enquanto Every descobre a verdade sobre o mistérioso passado de V, ela também descobre a verdade sobre si mesma - e emerge como uma improvável aliada na culminação do plano de V, para trazer liberdade e justiça de volta à sociedade repleta de crueldade e corrupção.

10 de Outubro de 2007 20:15

Dedé diz:
Gostei da sugestão. Ainda não assisti o filme, vou fazê-lo para poder iniciar os comentários.

Dialogando...

Anônimo disse...

SUGESTÃO:
Quero inicialmente felicitar o protagonista por uma visão que é pouco frequente, em disponibilizar temas pertinentes ao nosso cotidiano. Por sua sensibilidade de admitir o essencial ao nosso crescimento e amadurecimento - O CONHECER -.
Há muitos anseio enunciar as palavras, com todas as suas formas e sentimentos, com poesias,leituras, reflexões, indicações de filmes, músicas... Reconheci neste blog a oportunidade de assim fazê-lo, em um espaço reservado para os mais variados temas, poderiamos publicar palavras, mistérios, magia, sons, cores... sem necessariamente nos prendermos a coisa alguma, a não ser o sentimento presente e o compartilhar.

10 de Outubro de 2007 19:54

Caro(a) Anônimo(a),
Você não imagina como fico feliz com cada comentário que é feito neste blog. Gostaria de agradecer-lhe imensamente por sua participação, entendo de forma clara que não há evolução não compartilhada. Sinta-se à vontade para introduzir qualquer tema que considere relevante para o nosso crescimento, absolutamente tudo é bem vindo, iniciamos com Rousseau, mas não temos que nos prender a este autor, ele, aliás, abriu um leque de oportunidades maravilhosas para a expansão de nosso pensamento. A título de exemplo senti a necessidade de ler Aldous Huxley e a sua obra Admirável Mundo Novo, como também George Orwell e seu livro 1984. São ensaios maravilhosos e poderiam ampliar nossa discussão ainda mais.
Um grande abraço.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Continuando o diálogo com Ana...

Ana disse...

Caro "irmão de profissão"
(Profissão do ato de professar o pensamento)
A cada leitura me deparo com mais um milhão de novas questões sobre o pensamento de Rousseau, considerado muitas vezes como romantico e simplista por outros filósofos do Iluminismo, mas, com certeza um dos pais da ciência política moderna.
Obrigada pela resposta rápida e bem aplicada.
Se possível me mande um email ou um comentário, como preferir, sobre sua opinião pessoal sobre as obras que estamos estudando, por que você acha melhor o primeiro livro citado? É a linguagem? Ou o quê? Findamos o primeiro livro? Não seria bom revermos nossas opiniões pessoais antes de começarmos novo estudo?

9 de Outubro de 2007 11:25

Cara Ana,
Antes de qualquer coisa, obrigado pelo "irmão de profissão", fiquei lisonjeado. Ainda bem que as suas considerações são muitas, o que faz com que a fogueira do estudo seja alimentada mais e mais. Antes de adentrarmos as considerações pessoais sobre a obra, gostaria de dizer que pessoas como você e outras que deixam comentários no blog, mesmo de forma anônima, contribuem muito para o avanço do pensamento. Todos os comentários são considerados e estava guardando-os para esta oportunidade que surgiu agora, com o término da leitura do Livro Primeiro. Vamos retomar a todos a partir de então.
O fato de preferir a obra da coleção Os pensadores tem como causa uma maior discussão das considerações de Rousseau em notas de rodapé por pessoas que estudaram este pensador profundamente, bem como uma introdução de Marilena de Sousa Chauí, intitulada Rousseau Vida e Obra, além de uma introdução feita por Lourival Gomes Machado, que possibilita uma visão tanto do homem quanto do pensador que foi Rousseau. A segunda obra, por mim citada no comentário anterior, da coleção Clássicos do Pensamento Político, também traz um excelente prefácio feito por Bento Prado Júnior além de um texto introdutório sobre Eonomia Política, intitulado: Discurso Sobre a Economia Política, ampliando o pensamento econômico e social que encontraremos na obra estudada. No entanto, não é tão profundo nos comentários das notas de rodapé, o que dificulta a compreensão para um leigo como eu. Essa é a causa principal de uma preferência maior por uma obra em detrimento de outra.
Com relação às suas considerações sobre o término do Livro Primeiro, a resposta é sim. Os textos de Rousseau encerram este livro no capítulo IX Do Dominío Real. O Livro Primeiro é composto pois da seguinte forma: Uma breve Advertência (conforme postagem anterior); Um texto inicial (Vamos começar com Rousseau: Texto inicial [neste blog - com dois comentários que a partir de agora serão retomados e ampliados]); Capítulo I - Objeto deste primeiro livro (também com um comentário); Capítulo II - Das primeiras sociedades (também com um comentário, ainda anônimo); Capítulo III - Do direito do mais forte (também com comentário muito bom, mas ainda anônimo); Capítulo IV - Da escravidão (longo e com dois comentários, ambos anônimos); Capítulo V - De como é sempre preciso remontar a uma convenção anterior (sem nenhum comentário aqui no blog); Capítulo VI - Do pacto social (com comentário no blog, ainda anônimo); Capítulo VII - Do soberano (trazendo seu primeiro comentário, neste blog); Capítulo VIII - Do estado civil (com comentário de anônimo indagando sobre o povo que queria estudar Rousseau, achei que demorei a abrir o debate e acho que a galera desistiu de comentar, talvez, espero que não tenham desistido de estudar) e finalmente o último: Capítulo IX - Do domínio real, encerrando assim a fase de leitura.
Acho que você está certa no sentido de que antes de iniciarmos a leitura do Segundo Livro devamos abrir o debate sobre o que foi lido até aqui aprofundando as considerações do autor e de outros e as nossas, inclusive as postadas anonimamente. Pergunto: abrir o debate por partes ou tipo brainstorm? O que você(s) sugere(m)?